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quinta-feira, 17 de março de 2011

Corpo e alma.

Os joelhos começam a doer. As pernas continuam movendo-se, aguentando a tortura de carregar uma Alma.
Até quando esse Corpo será capaz de suportar a dor, quando é muito mais fácil deixá-la ali no caminho? A Alma nem mesmo pertence à esse Corpo. Coitado do Corpo: tão fraco, desajeitado, pedindo desesperadamente por ajuda em silêncio. O grito interno, que corta, sufoca, leva todo seu ar. O grito que não sai da própria garganta.
Mas por alguma razão que ninguém sabe qual é, o Corpo continua carregando a Alma consigo tão cegamente, e não importa se há uma barreira, uma pedra no caminho.. o desesperado Corpo continua levando a sua amada Alma. Por ela o Corpo seria capaz de passar por qualquer coisa. Tsc, tsc. Tão bobinho, mal pôde imaginar como isso poderia acabar. Mas a querida Alma, essa sim já imaginava no o que tudo isso iria resultar.
Mesmo com o corpo dolorido, com a respiração pesada, o Corpo decidiu que seria capaz de continuar carregando a Alma. Seus pés começaram a sangrar, o corpo começou a latejar, seu coração disparava: o esforço que o pobre corpo fazia para carregar essa terrível Alma, era grande demais.
O Corpo tentara várias vezes deixar a Alma no caminho, mas sabia que não era capaz disso: uma espécie de elo os atavam. Se o elo não fosse quebrado, o Corpo carregaria a Alma pelo resto de sua vida. E o Corpo sabia: se ele não fizesse isso, a Alma se aproveitaria da situação e continuaria sendo carregada pelo Corpo.
Um brilho extra surgiu no olho do pobre Corpo que sangrava, latejava. Ele arrancou o próprio coração, entregou à sua amada Alma e disse: - Tome, aqui. Eu não preciso mais. Você pode ficar com ele, transformar em pedaços.. mas eu não te carregarei. Não mais.

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